A autoestima e saúde mental do negro no Brasil

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Postado dia 4 de novembro de 2019 por


A discriminação percebida na vida cotidiana e o número de mortes de negros representam um alerta sobre a saúde mental da população negra. Sabia que a cada dez jovens que se suicidam no Brasil, seis são negros? Esse dado é de um levantamento do Ministério da Saúde e da Universidade de Brasília.

De acordo com a pesquisa, a tendência da taxa de mortalidade por suicídio entre adolescentes e jovens negros teve um crescimento significativo no período de 2012 a 2016. De 4,88 mortes para cada 100 mil em 2012 para 5,88 óbitos por 100 mil em 2016. O relatório afirma que um dos grupos vulneráveis mais afetados pelo suicídio são os jovens e sobretudo os jovens negros, devido principalmente ao preconceito, discriminação racial e racismo institucional.

Muitas vezes as queixas raciais são subestimadas ou tratadas como algo pontual, e o estigma em torno do suicídio contribui para o silêncio sobre o tema. Mas é preciso falar disso. A desigualdade racial, que infelizmente ainda existe, compromete oportunidades e afeta a saúde mental do negro brasileiro. Mesmo após 130 anos da abolição da escravatura, a população negra no Brasil ainda sofre dificuldades e preconceito, que afetam o estresse e a autoestima. Assim sendo, o racismo tem grandes impactos psicológicos.

Por isso, o Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, no dia 20 de novembro, e tem o objetivo de lembrar as dificuldades que os negros sofreram e busca refletir sobre a luta contra a discriminação racial. Segundo as Nações Unidas, estudos mostram que “a cor da pele é componente central na estruturação das desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao emprego e a maiores níveis de desenvolvimento”.

 

Realidade do negro no Brasil

Apesar dos avanços nas últimas décadas, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em média, os brancos têm os maiores salários, sofrem menos com o desemprego e são maioria entre os que frequentam o ensino superior. Veja, por exemplo, a taxa de analfabetismo é mais que o dobro entre pretos e pardos (9,9%) do que entre brancos (4,2%), de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua de 2016.

O desemprego também é fator de desigualdade: a PNAD Contínua do 3º trimestre de 2018 registrou um desemprego mais alto entre pardos (13,8%) e pretos (14,6%) do que na média da população (11,9%).

Esta realidade brasileira é herança do longo período de colonização europeia e da escravidão. O Brasil foi o último país a abolir a escravatura. Mas, mesmo depois disso, não houve nenhum projeto de inserção do negro na sociedade brasileira. Portanto, o negro brasileiro se viu livre, mas sem muitas perspectivas e com influência das teorias racistas importadas da Europa. “Esse grande contingente de pessoas se viu sem perspectivas de trabalho, de educação e de inclusão social”, explica a tese “Relações raciais no Brasil e a construção da identidade da pessoa negra”.

Portanto, hoje, no Brasil, há um movimento crescente que reivindica o reconhecimento do preconceito e da discriminação racial. Viver em uma sociedade que a ignora ou minimiza em muitas situações é injusto e afeta a saúde mental de qualquer um.

 

A saúde mental da população negra

As dificuldades enfrentadas, o trauma da escravidão e a falta de representatividade são alguns fatores que afetam a saúde mental da pessoa negra. A obra “Os efeitos psicossociais do racismo” ressalta que a exposição às situações de desvalorização causa efeitos múltiplos de dor, angústia, insegurança, autocensura, rigidez, alienação, negação da própria natureza e outros, deixando marcas profundas na psique.

O preconceito e a discriminação racial vivenciados pela pessoa negra fazem com que, muitas vezes, ela esteja em constante conflito em relação a sua identidade. Pessoas negras com boas condições financeiras podem sofrer racismo e não sentirem que se encaixam. Já os negros com condições financeiras ruins também se afetam por serem tratados, em muitos casos, como inferiores.

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde e da UNB, as principais causas associadas ao suicídio em negros são:

 

A autoestima do negro

O enxergar-se bonito é um processo complexo para a grande maioria das pessoas, independentemente da cor da pele. Mas quando se é negro, a construção de uma imagem esteticamente positiva de si mesmo é ainda mais complicada. Afinal, na infância, a maioria dos personagens, heróis infantis e referências são brancos.

A falta de representatividade acaba afetando a identidade e autoestima do negro. Por exemplo, faça uma pesquisa rápida no Google Imagens de “homens bonitos”. Dê uma olhada e veja quantos rapazes negros aparecem nos resultados. Pouquíssimos, certo?

 

Valorização do negro

A boa notícia é que, apesar de ainda faltarem avanços, a situação está melhorando. O processo de ressignificação de ser negro tenta vencer os diversos estereótipos negativos associados à negritude e reproduzidos nas relações sociais e nos meios de comunicação de massa. “A valorização da negritude tem como consequência o questionamento dos lugares sociais de subordinação em que a população negra está inserida (…) Isso vem gerando uma mudança na autoestima da população negra e uma maior consciência das desigualdades raciais alimentadas pelo racismo”, analisa a obra “O desafio de eliminar o racismo no Brasil: a nova institucionalidade no combate à desigualdade racial”.

Alguns exemplos são as campanhas contra o racismo, a valorização dos cabelos crespos e cacheados e a maior representatividade de negros em personagens. As referências negras têm aumentado. Barack Obama, Michelle Obama, Oprah Winfrey, as escritoras Djamila Ribeiro e Chimamanda Ngozi Adichie, a cantora Iza e o filme Pantera Negra são algumas das grandes referências atuais.

A apresentadora Oprah Winfrey fez um discurso no Globo de Ouro de 2018 e falou sobre esta questão da representatividade. Ela lembrou de quando era criança e assistiu Sidney Poitier, ator e diretor negro, ganhar uma estatueta do Oscar. Oprah nunca havia visto um homem negro ser premiado dessa maneira e comentou sobre o quanto isso a inspirou.

É, portanto, importante que a representatividade negra aumente, que se valorize a negritude e a sociedade lute contra o racismo. São pequenos passos que podem transformar a vida de muitas pessoas.

 

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