Os desafios em torno da saúde mental da mulher em todas as fases da vida

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Postado dia 21 de novembro de 2025 por


A manutenção da saúde mental da mulher em qualquer idade esbarra não apenas em questões individuais, como também em uma série de aspectos sociais e até mesmo econômicos. Reflexo disso é o fato de que 45% das mulheres brasileiras relataram algum diagnóstico psiquiátrico antes mesmo da pandemia de Covid-19. Isso inclui quadros de depressão e de ansiedade, entre outros distúrbios que comprometem o bem-estar, a qualidade de vida e a produtividade. Esses dados são do relatório “Mulheres Exaustas: Empobrecimento, Sobrecarga de Cuidados e Sofrimento Psicológico Feminino“. O documento foi elaborado pela organização não governamental Think Olga. O levantamento, feito em 2023, ouviu pouco mais de mil mulheres entre 18 e 65 anos de todo o país.

Alguns fatores que interferem na saúde mental feminina

É difícil separar qualquer forma de adoecimento psíquico do contexto social em que uma pessoa está inserida. Tal constatação parece ser ainda mais relevante quando se considera a saúde mental feminina. Em um primeiro instante, basta considerar o peso de inúmeras responsabilidades e de tudo o que a sociedade espera de uma figura feminina. Depois, é fundamental incluir nessa equação a forma como todos os espaços acabam sendo injustos (e muitas vezes hostis) com a presença das mulheres. Por isso, toda discussão em torno desse componente do bem-estar deve incluir determinadas considerações, algumas delas apresentadas nos tópicos abaixo.

Desigualdade de oportunidades e a falta de reconhecimento no mercado de trabalho

As mulheres recebem, em média, 20% a menos que os homens ocupando os mesmos cargos em empresas com mais de 100 funcionários. Essas informações são do Segundo Relatório de Transparência Salarial, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Ele considera dados de 2023. Muitas vezes essa desigualdade salarial é consequência do fato de que mulheres também aparecem sempre atrás no número de representantes ocupando cargos de liderança. Não é raro que elas enfrentem o fenômeno do “teto de vidro”. Em outras palavras, isso significa que, mesmo com as competências necessárias, a mulher não consegue avançar na carreira, atingindo um limite de progressão (frequentemente invisível) mais rápido que seu equivalente do sexo masculino. Essas considerações sobre salários e cargos não devem excluir o fato de que também o próprio acesso ao mercado de trabalho é um desafio. Em 2023, a taxa de desemprego entre elas esteve acima da média nacional.

Invisibilidade do trabalho feminino

Outro tópico por muito tempo negligenciado é a forma como mulheres se dedicam a diversas atividades sem que necessariamente sejam remuneradas por isso. Assim sendo, fala-se cada vez mais na chamada carga de trabalho invisível dessa fatia da sociedade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, as mulheres acumularam, em média, quase 10 horas a mais de trabalho de cuidado com a casa ou os parentes do que os homens. Essa diferença inclui ainda todo o tempo dedicado ao trabalho efetivamente remunerado. Ou seja, cada intervalo adicional voltado para afazeres domésticos, cuidados com filhos e familiares retira tempo de atividades de trabalho, educação, lazer e descanso. Combinados, todas esses são atividades que contribuem, cada um a seu modo, com a prevenção do adoecimento psíquico.

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Diferentes dimensões da violência de gênero

Todos os dias, pessoas de diferentes idades, raça e renda são vítimas de violência física, sexual, psicológica ou material apenas pelo fato de serem mulheres. A esse fenômeno se dá o nome justamente de violência de gênero. A exposição a essas situações, ou apenas o temor de que isso aconteça em algum momento, certamente é algo que influencia no bem-estar de qualquer uma. O relatório do Think Olga destacado na introdução mostra também que uma em cada seis mulheres aponta esse aspecto como um fator de comprometimento da saúde mental. E tal receio não é infundado. A 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo DataSenado, indica que três em cada dez mulheres já foram vítimas de violência doméstica em algum momento da vida.

Violência Obstétrica

O risco de ser vítima de alguma forma de agressão não diminui nem mesmo quando as mulheres vão dar à luz. Na prática, isso faz com que elas sejam afetadas pela conduta inadequada de profissionais de saúde que exploram o momento de vulnerabilidade para cometer abusos de natureza física e psicológica. Em resumo, isso é o que define a chamada violência obstétrica. De acordo com dados da Fundação Perseu Abramo, uma em que cada quatro mulheres relata ter sofrido alguma violência do tipo.

Pressões estéticas e padrões de beleza irreais

Um quarto das mulheres entrevistadas pelo Think Olga dizem que a necessidade de atender a determinadas expectativas quanto à sua aparência contribui para a piora da saúde mental. Boa parte disso é resultado de parâmetros que são baseados quase sempre em perspectivas irreais de beleza, feminilidade e de como uma mulher deve ser ou agir. Diante disso, pode haver um comprometimento de aspectos como a autoestima e a satisfação com a imagem corporal. Então, fica mais fácil entender por que as mulheres são as mais atingidas por transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia. Artigo sobre o tema mostra que até 8% das mulheres apresentam um quadro do tipo. Enquanto isso, o número de homens com tais condições fica abaixo dos 2% do total da população. Tais complicações tendem a ser ainda mais relevantes em mulheres jovens, adolescentes ou mesmo crianças do sexo feminino.

Etarismo

A pressão estética é um obstáculo até mesmo para que mulheres envelheçam de forma saudável, evidenciando o etarismo que as tem como um alvo mais destacado. Assim, é comum que estereótipos sobre o que se espera de uma mulher à medida que os anos passam sejam reforçados, incluindo nisso o julgamento da aparência, das suas capacidades no mundo profissional e até mesmo a respeito de processos naturais do organismo feminino, como a menopausa. Do mesmo modo que outras formas de exclusão, não é raro que isso aconteça de modo velado, inclusive com uso de expressões inadequadas. É bem fácil encontrar uma mulher ouvir que “não tem mais idade para isso” ou que “não parece ter a idade que tem”, por exemplo.

Medidas que podem ajudar a promover a saúde mental da mulher

Toda a sociedade precisa contribuir para que qualquer espaço seja capaz de acolher adequadamente a presença feminina, tratando qualquer uma delas de igual para igual. Nas empresas, isso passa pela manutenção de ambientes seguros, pela igualdade de oportunidades e pelo apoio irrestrito para corrigir distorções e oferecer o suporte necessário sempre que houver tal demanda. Nesse sentido, Programas de Apoio ao Empregado com suporte psicossocial profissional diante de situações inesperadas, terapias integrativas e soluções educativas são ferramentas valiosas para promover iniciativas relevantes na promoção do bem-estar. Além disso, estabelecer limites saudáveis na relação do trabalho com as demais esferas da vida pessoal é fundamental para fazer da saúde mental da mulher uma prioridade permanente independentemente do que aconteça. Este conteúdo foi elaborado pela equipe da TELUS Health, sempre pensando no seu bem-estar e no cuidado com aqueles que você ama. Referências Mulheres ganham 20,7% menos que homens em empresas com mais de 100 funcionários, aponta 2° Relatório de Transparência Salarial https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Setembro/mulheres-ganham-20-7-menos-que-homens-em-empresas-com-mais-de-100-funcionarios-aponta-2deg-relatorio-de-transparencia-salarial Diferenças de gênero no mercado de trabalho https://portal.fgv.br/artigos/diferencas-genero-mercado-trabalho Women and Mental Health https://www.nimh.nih.gov/health/topics/women-and-mental-health “Mulheres Exaustas: Empobrecimento, Sobrecarga de Cuidados e Sofrimento Psicológico Feminino” https://lab.thinkolga.com/wp-content/uploads/2023/10/LAB-Esgotadas-4out-1.pdf Desemprego de mulheres e negros termina 2023 acima da média nacional https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-02/desemprego-de-mulheres-e-negros-termina-2023-acima-da-media-nacional Em 2022, mulheres dedicaram 9,6 horas por semana a mais do que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37621-em-2022-mulheres-dedicaram-9-6-horas-por-semana-a-mais-do-que-os-homens-aos-afazeres-domesticos-ou-ao-cuidado-de-pessoas Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – DataSenado 2023 https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/publicacaodatasenado?id=pesquisa-nacional-de-violencia-contra-a-mulher-datasenado-2023 Gender Differences in Treatment Outcomes for Eating Disorders: A Case-Matched, Retrospective Pre–Post Comparison https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9183188 Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaço Público e Privado https://apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf Women in Leadership Face Ageism at Every Age https://hbr.org/2023/06/women-in-leadership-face-ageism-at-every-age

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